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Bernardo é um urso egoísta que passa a primavera inteira roubando e estocando os melhores potes de mel para não dividir com ninguém no inverno. Mas quando ele fica gravemente doente e sem forças para abrir os potes, é a generosidade da comunidade que ele tanto afastou que salva sua vida.
Bernardo é um urso egoísta que passa a primavera inteira roubando e estocando os melhores potes de mel para não dividir com ninguém no...
Bernardo era o urso pardo mais forte da floresta dos pinheiros, mas também o mais egoísta e rabugento. Ele não tinha tempo para os outros animais. Sua única obsessão na vida era a comida, especialmente o doce e pegajoso mel das abelhas silvestres.
Enquanto os esquilos brincavam de esconde-esconde e os cervos contavam histórias perto do rio, Bernardo passava os dias derrubando colmeias inteiras, roubando o mel e guardando-o no fundo de sua caverna fria e escura.
Quando o outono chegou, a caverna de Bernardo estava abarrotada com dezenas de potes de barro transbordando de mel dourado. Ele não dividiu uma única gota.
O inverno chegou mais duro do que o esperado. A neve cobriu tudo com um manto branco e pesado, selando as portas de muitas tocas. Bernardo estava rindo à toa, sentado em sua montanha de potes de mel, pronto para hibernar com o estômago cheio.
No entanto, no meio da estação gelada, uma gripe terrível atingiu o urso. Ele acordou com febre alta, o corpo tremendo violentamente e uma fraqueza que transformava seus braços musculosos em gelatina.
Bernardo estava com fome, mas quando tentou levantar o braço para destampar um dos seus pesados potes de barro e pegar o mel, ele não conseguiu. Suas garras deslizaram, o pote escorregou e rolou para o fundo da caverna.
Ele tentou de novo. Nada. O grande e forte Bernardo estava cercado por montanhas de comida, mas não tinha forças para abri-las. Ele passou dias deitado no chão de pedra gelada, sentindo frio, fome e, acima de tudo, um medo terrível da solidão que ele mesmo construíra.
Naquela mesma tarde, um pequeno grupo liderado por um coelho e dois esquilos passava perto da caverna. Eles ouviram os gemidos dolorosos do urso. Apesar do medo e das grosserias do passado, o coração dos pequenos animais falou mais alto.
O coelho espiou para dentro. Vendo a situação patética e perigosa do urso, ele correu de volta e chamou os outros. Em pouco tempo, texugos, guaxinins e até um velho alce entraram na caverna.
Sem dizer uma palavra sobre as recusas do passado, os texugos usaram as patas pequenas e ágeis para destampar os potes de mel. Os esquilos juntaram folhas secas e o alce ajudou a criar uma fogueira quente.
O pequeno coelho pegou uma colher de pau e pacientemente alimentou Bernardo, gota por gota de mel, curando a garganta inflamada do gigante. O calor da fogueira e o doce alimento devolveram a vida ao corpo do urso.
Quando Bernardo finalmente teve forças para se sentar, ele olhou para os pequenos animais que o cercavam. Ele havia negado ajuda a todos eles, e em troca, eles salvaram sua vida com o próprio mel que ele havia escondido.
O urso desatou a chorar, um choro alto e arrependido. Daquele inverno em diante, a caverna de Bernardo nunca mais teve uma porta fechada. Tornou-se o lugar mais quente, generoso e acolhedor de toda a floresta, onde o mel era sempre dividido igualmente entre os amigos.
Moral da História: O egoísmo constrói muralhas onde a generosidade constrói pontes; precisamos uns dos outros para sobreviver aos invernos da vida.


